LER/DORT: Lesões por Esforço Repetitivo no Trabalho – Prevenção, Diagnóstico e Responsabilidades da Empresa

LER/DORT são lesões por esforço repetitivo que afetam milhões de trabalhadores. Saiba como a Medicina do Trabalho atua na prevenção, diagnóstico e quais são as responsabilidades legais da empresa.
LER/DORT | WTA Medicina do Trabalho

As LER/DORT (Lesões por Esforços Repetitivos / Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) representam um dos maiores desafios da Medicina do Trabalho no Brasil. Essas patologias afetam milhões de trabalhadores anualmente e respondem por uma parcela expressiva dos afastamentos previdenciários, gerando impactos financeiros significativos tanto para as empresas quanto para o sistema de saúde.

Neste artigo, você vai entender o que são as LER/DORT, quais as causas e fatores de risco, como a Medicina do Trabalho atua na prevenção e no diagnóstico, e quais são as responsabilidades legais das empresas frente a essas doenças ocupacionais.

O que são LER/DORT?

LER/DORT é um conjunto de doenças e síndromes que afetam músculos, tendões, nervos, ligamentos, articulações, bursas e fáscias, geralmente nos membros superiores e na coluna vertebral. Essas lesões se desenvolvem de forma lenta e progressiva, como resultado da exposição prolongada a movimentos repetitivos, posturas inadequadas, esforço excessivo e falta de pausas adequadas durante a jornada de trabalho. Segundo o Ministério da Saúde, as doenças musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho estão entre as principais causas de afastamento no país.

Algumas das condições mais comuns classificadas como LER/DORT incluem tendinite, bursite, síndrome do túnel do carpo, epicondilite, tenossinovite e dorsalgia. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar a progressão e garantir o tratamento adequado.

Principais Fatores de Risco para LER/DORT

A ocorrência de LER/DORT está associada a uma combinação de fatores biomecânicos, organizacionais e psicossociais. Entre os principais riscos, destacam-se os mais relevantes para trabalhadores em diferentes setores da economia.

Fatores Biomecânicos

Movimentos repetitivos, posturas inadequadas, força excessiva e vibração são os principais fatores biomecânicos associados ao desenvolvimento dessas lesões. Trabalhadores de linha de montagem, digitadores, operadores de caixa e costureiras estão entre os grupos mais expostos. Saiba mais sobre riscos ergonômicos em nosso artigo sobre Medicina do Trabalho no Setor de Tecnologia.

Fatores Organizacionais

Jornadas de trabalho prolongadas, ausência de pausas, ritmo acelerado de produção e ambientes com iluminação ou temperatura inadequadas são fatores organizacionais que contribuem para o surgimento das LER/DORT. A organização do trabalho tem papel determinante na saúde musculoesqueletal dos colaboradores.

Fatores Psicossociais

Estresse ocupacional, falta de autonomia, relações de trabalho conflituosas e insatisfação profissional também são reconhecidos como fatores agravantes das LER/DORT. A tensão muscular gerada pelo estresse emocional potencializa os danos causados pelos esforços repetitivos, tornando o trabalhador mais vulnerável a essas condições.

Como a Medicina do Trabalho Atua na Prevenção das LER/DORT

A Medicina do Trabalho desempenha papel central na prevenção das LER/DORT por meio de ações integradas que envolvem vigilância epidemiológica, programas de saúde ocupacional e intervenções ergonômicas. O médico do trabalho, em parceria com a equipe de segurança, deve adotar estratégias eficazes para reduzir a incidência dessas patologias. Um dos instrumentos mais importantes nesse processo é o PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos).

Análise Ergonômica do Trabalho (AET)

A AET identifica os riscos ergonômicos presentes nos postos de trabalho e subsidia medidas de controle e adequação para prevenir LER/DORT. A NR-17, que trata de ergonomia, exige que as empresas realizem a AET sempre que solicitado pelos trabalhadores ou quando identificadas condições inadequadas de trabalho.

Exames Ocupacionais Direcionados

O PCMSO deve incluir avaliações clínicas específicas para LER/DORT nos exames admissionais, periódicos e demissionais de trabalhadores expostos a fatores de risco. A identificação precoce de sinais e sintomas permite intervenção oportuna e evita agravamento das lesões. Conheça mais sobre os nossos exames ocupacionais.

Ginástica Laboral e Pausas Programadas

A implementação de ginástica laboral, pausas programadas e rodízio de tarefas são medidas eficazes de prevenção das LER/DORT. Esses programas, quando bem estruturados, reduzem a sobrecarga musculoesqueletal e promovem maior bem-estar e produtividade entre os trabalhadores.

Diagnóstico das LER/DORT: Como Funciona?

O diagnóstico das LER/DORT é essencialmente clínico, baseado na história ocupacional detalhada, na descrição dos sintomas e no exame físico. O médico do trabalho investiga a relação entre as atividades laborais e o surgimento das lesões, considerando o nexo causal com o trabalho.

Exames complementares como ultrassonografia, ressonância magnética e eletromiografia podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão das lesões. A emissão do CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) é obrigatória quando reconhecida a origem ocupacional da doença, garantindo ao trabalhador os direitos previdenciários correspondentes.

Responsabilidades Legais das Empresas frente às LER/DORT

Do ponto de vista jurídico e previdenciário, as LER/DORT reconhecidas como doenças ocupacionais geram uma série de obrigações para as empresas. A legislação brasileira é clara ao atribuir responsabilidades ao empregador na prevenção e no manejo dessas condições.

Emissão da CAT e Estabilidade do Emprego

Quando um trabalhador é diagnosticado com LER/DORT de origem ocupacional, a empresa é obrigada a emitir a CAT. O trabalhador afastado por mais de 15 dias em razão dessas lesões adquire estabilidade provisória de 12 meses após o retorno ao trabalho, conforme previsto na Lei nº 8.213/1991.

Impacto no FAP e no RAT

O reconhecimento das LER/DORT como doenças ocupacionais impacta diretamente o FAP (Fator Acidentário de Prevenção) e o RAT da empresa, podendo aumentar a alíquota do seguro acidente de trabalho pago ao INSS. Investir em prevenção reduz esses índices e representa economia significativa para o negócio. Veja como o FAP impacta as empresas em nosso artigo sobre acidentes de trajeto.

Responsabilidade Civil e Indenizações

Empresas que não adotam medidas preventivas adequadas podem ser responsabilizadas civilmente por danos morais e materiais decorrentes das LER/DORT. A jurisprudência trabalhista é farta em condenações de empregadores que negligenciaram a saúde musculoesqueletal de seus colaboradores, especialmente em casos comprovados dessas doenças ocupacionais.

LER/DORT e o Retorno ao Trabalho

O retorno ao trabalho após afastamento por LER/DORT deve ser cuidadosamente planejado pelo médico do trabalho. A avaliação da capacidade laboral, a indicação de restrições de atividades e a adequação do posto de trabalho são etapas fundamentais para evitar recidivas dessas lesões.

A reabilitação profissional, conduzida em parceria com equipes multidisciplinares, busca reintegrar o trabalhador acometido de forma segura e produtiva, respeitando suas limitações físicas sem excluí-lo do mercado de trabalho.

Conte com a WTA Medicina do Trabalho na Prevenção das LER/DORT

A WTA Medicina do Trabalho oferece programas completos de prevenção e gestão das LER/DORT, desde a elaboração do PCMSO até análises ergonômicas e programas de saúde musculoesqueletal. Nossa equipe especializada trabalha de forma integrada com as empresas para identificar e controlar os riscos antes que se tornem doenças incapacitantes.

Se sua empresa ainda não possui um programa estruturado de prevenção às LER/DORT, entre em contato conosco. Proteger a saúde dos seus colaboradores é também proteger a sustentabilidade do seu negócio.

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